Aparece como um Menino com asas de Anjo, montado num Dragão de Duas Cabeças.
Volac é o arquétipo da Inocência que Sabe — a criança angelical que encontra serpentes sem medo e revela tesouros. É o paradoxo de que o conhecimento mais profundo frequentemente está disponível para os não-iniciados, para a mente que não criou ainda as defesas que bloqueiam a percepção direta.
A imagem de um menino angélico sobre dragão de duas cabeças é extraordinária: a inocência montada sobre a dualidade. Psicologicamente, Volac representa a mente do principiante — o "shoshin" do Zen, a abertura que precede o aprendizado. O dragão de duas cabeças que ele monta é a dualidade que a criança não teme: ela ainda não aprendeu a ter medo dos opostos, do escuro, das serpentes.
Volac aparece no neófito que enxerga o que os especialistas não conseguem mais ver porque estão cercados demais pelo conhecimento prévio. É a "pergunta estúpida" da criança que ilumina algo que todos deveriam ter percebido. É também a experiência de encontrar serpentes sem medo — confrontar o que parece ameaçador e descobrir que, na presença adequada, ele não força, não ameaça — simplesmente está lá.
Serpentes sem força — trazidas por Volac sem violência — são a sabedoria do inconsciente que não precisa mais ser temida. O dragão de duas cabeças sob o menino é a dualidade domesticada pela inocência. Os tesouros ocultos que ele revela são os que estão disponíveis para quem não tem medo de olhar — os recursos internos que estavam sempre lá, esperando olhos sem preconceito para serem vistos.
Sombra
A inocência que é ingenuidade — a abertura sem discernimento que toca as serpentes sem entender o veneno. A criança que não aprende com a experiência porque está sempre em estado de "principiante" sem nunca progredir.
Luz
A mente do principiante que coexiste com o conhecimento — a capacidade de permanecer aberto e curioso mesmo após anos de experiência. A inocência que não foi perdida, mas integrada.
Onde em sua vida você mantém a "mente do principiante" — curiosidade e abertura sem preconceitos?
Que serpentes em sua vida você evita por medo, mas que talvez pudesse se aproximar com mais calma?
Que tesouros ocultos em você — qualidades, potenciais — ainda estão esperando por olhos sem preconceito que os vejam?
O que a criança que você foi saberia sobre sua vida atual que você adulto/a talvez tenha esquecido?
Mantenho a mente do principiante. A curiosidade que preservo é o que me mantém aprendendo.
Não temo as serpentes da minha vida. Me aproximo do que me assusta com calma e abertura.
Há tesouros em mim que ainda não foram descobertos. Estou pronto/a para encontrá-los.
Visualize-se com os olhos de uma criança — não sem experiência, mas sem preconceito. Com esses olhos, olhe para sua vida atual. O que você vê que normalmente não permite ver? Uma criança com asas está ao seu lado, montada num dragão calmo. Ela aponta para algo que você sempre considerou ameaçador. "Não tem veneno aqui", ela diz. Com os olhos dela, você olha novamente. O que você vê agora que não via antes?